Foto: Ana Laura Bernardes

Nome: Maria Lúcia Alvim Tropia
Natural de Ouro Preto, Minas Gerais
Idade: 71 anos
Técnica: Bordado
Maria Lúcia
Maria Lúcia é formada no Curso Normal na Escola Estadual Dom Veloso em Ouro Preto, MG, mas nunca chegou a lecionar, optando por dedicar-se ao bordado. Iniciou seu processo artístico com as linhas em sua casa, a partir dos ensinamentos passados entre gerações, uma vez que sua avó e tias também bordavam. O fazer manual estava associado às relações familiares e às relações de cuidado, que herdou da família. Assim, a arte ingressou em sua vida muito cedo e lhe desenvolveu afetos, ao trazer memórias nostálgicas. Ao se casar, fazendo enxovais e outros trabalhos manuais, a relação com a arte intensificou-se. Fundadora da Associação das Senhoras Artesãs (ASA), em parceria com suas amigas Úrsula Roeser e Cecília Tropia, Maria empreendeu um trabalho de cunho artístico e social na cidade de Ouro Preto, MG, desenvolvendo sua produção principalmente no bordado. Iniciou o trabalho sem muitos recursos até consolidar um espaço de valorização da própria arte e o engajamento comunitário.
Posteriormente à ASA, ela comercializou suas criações por meio de associações filantrópicas, como a Lareira de Nazaré e Casa da Amizade do Rotary – ambas atuantes no auxílio da comunidade ao recolher produtos para doação –-, concedendo seus trabalhos para que as entidades os vendessem e o lucro fosse revertido para projetos sociais.
Na visão de Maria, cada ponto representa não apenas um gesto manual, mas também tempo de escuta, cuidado e conexão com suas lembranças, fazendo com que a obra ultrapasse o caráter técnico e estético e se torne um registro de vivências.
Tem as paisagens históricas da cidade em que mora como motor de sua capacidade criativa, usando dos detalhes expostos na arquitetura das igrejas, casarões e prédios históricos, e ressaltando-os em sua arte, com os elementos dos frisos das sacadas e os arabescos que a inspiram. Os seus principais métodos de bordado são a Bainha Aberta, técnica de desfio para criar espaços vazios que depois são trabalhados com agulha para formar padrões geométricos, e a Marafunda, ponto de bordado que cria uma textura granulada muito apertada.
Ana Laura Bernardes Vieira, Ana Luíza Martins, Lara Alves Ribeiro, Maria Regina Rodrigues de Oliveira e Mel Niely Nunes da Silva
Agosto de 2025
Foto: Ana Laura Bernardes

Foto: Ana Laura Bernardes

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